terça-feira, 1 de março de 2011

Morte em Vida .

Algumas experiencias que temos na vida , por mais simples que pareçam, tornam-se divisores de aguas nos nossos caminhos.Muito se aprende quando o medo entope nossas veias de adrenalina, e a fé empoça nossos nervos. Quando a chuva bate lá fora, insistente e assustadora. Os caminhos agora lamacentos, tornam os freios instrumentos sem valor. O desespero de um tropeço, faz do desvio uma batida quase aliviada. Nessas horas surgem os chamados anjos. Os pré-destinados a estarem lá naquele dia, naquela hora. Saem no meio da chuva, com uma tranquilidade de quem está sendo acariciado pelos pingos da tempestade. Enfiam o pé na lama, e com uma força aparentemente soberana nos trazem de volta ao caminho. Esses anjos não acabam com a chuva, tão pouco tornam a estrada menos escorregadia, mas nos fazem crer e nos ajudam a passar por aquilo. Talvez, não exista obrigados o suficiente para agradece-los, mas a gratidão que eles nutrirão em mim, quem sabe,passe a protege-los para sempre. Morrer não dói. Dá medo de deixar quem fica, de encontrar quem foi. Mas doer, isso não.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

22 de janeiro.

Vão passar mil anos e nada do que me aconteça será capaz de apagar essa história. Roteiro de filme. O drama do impossivel para quem tudo crer, mesmo sem poder. Quando se encontra alguem por obra do destino, as coisas realmente soam como um conto literaturavel. Na verdade o encontro é bem mais simples e menos frequentes do que os desencontros posteriores. O tempo que sugere fim a tudo que se inicia, passa a não ter significado. O mundo em volta, passa a girar por girar e tudo em volta por mais belo que seja passa a ser coadjuvante. Algo sobrenatural parece acontecer quando pele a pele acontece a aproximação. Em um dia, parecia ter vivido uma vida inteira. E quando a lua deu lugar ao sol, o desencontro galopante seguiu ao meu encontro. Arcordar de um sonho parece muito menos poético quando acontece na vida real. A partir dai , emergiu um nó, que se instalou por minha garganta durante 341 dias. Quando voce ressurgiu em minha vida. Mais uma semana, até que o inevitavel adeus viesse a tona. Dessa vez jurei que nao derramaria uma lagrima sequer. Só cumpri a promessa na sua frente. Porque assim que voce me abraçou , me disse aquilo e entrou naquele onibus. Eu virei as costas e sai sem rumo, tentando conter a insistente angustia e dor que brotavam nos meus olhos. A partir dai, eu já sabia. Vieram as seguidas discussoes. Tudo culpa da distancia.Não soubemos nos doar na mesma medida,pelo simples fato de vivermos sem medidas. E o silencio, principalmente o meu, te agrediu de tal forma que acabamos por permanecer nele. Se naquela epoca eu entedesse que nessa equação, a ordem dos fatores altera o produto e que amor não é ciencia exata. Simples assim. Ai eu absorveria com menos dor o fato de sermos apaixonados um pelo outro, não estarmos juntos e pior, com outra pessoa.
Cause this is our fate. Somos serra e litoral, nosso final é simples:

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Dos casais.

Vila Velha, Janeiro de 2011.
Esta tarde tambem ardentemente quente, começou com a incontrolável vontade do meu irmão de comer peixe frito. Andamos pela praia, até encontrarmos um restaurante beira-mar especializado em peixes. Nos sentamos, fizemos o pedido. Naquele momento entrara no restaurante um casal. Ele( mais tarde soube tratar-se de Jorge) de pele morena, olhos redondos e castanhos. Ela ( que descobrir ser D. Maria) de olhos profundamentes azuis que pareciam engulir o céu, e pele fina e branca como as nuvens. Sentaram- se a nossa frente. Não se tratava apenas de um casal de idosos fofinhos, bonitinhos e coisa e tal. Eram diferentes. Me conquistaram com o olhar. Quando D. Maria se levantou para ir ao banheiro e ele seu Jorge a acompanhou para conduzi-la, percebi que havia algo bastante peculiar naquele casal. Quando voltaram, logo tratamos de puxar assunto. Em pouco tempo descobri o que cada um fazia, o que gostavam de fazer juntos e como se conhecerão. Ambos, antes viúvos se conheceram num encontro de terceira idade, e se apaixonaram. Meu encantamento por eles parecia não ter mais fim. Não demorou muito para eu entender o que acontecia ali. D. Maria tem Alzheimer. E por isso, durante a conversa repetiu diversas vezes a mesma coisa. Troquei emails com seu Jorge, que possui uma radio e um blog. Fechei a conta, me despedi e fui embora. Saindo de lá com os que me acompanhavam, me afastei. Longe de todos, nao contive o choro. Eu estava completamente envolvida com eles. A doçura que eles transmitiam pelo olhar me seduzira de tal forma que chegara a machucar. Eu chorava por ver amor puro e sincero. Eu chorava por ver o tempo levar aos poucos as peças do quebra-cabeça daquelas vidas tão sobrenaturalmente unidas. Eu chorava por medo, de passar pela vida e nao me encontrar em alguem, como aqueles dois se encontrarao. Eu chorava por estar apaixonada pelo amor que eles sentem um pelo o outro.
Não choro mais pela alegria de saber que os dois juntos enfrentam a dolorosa fuga do tempo.

Dos Anonimos

Era uma tarde quente e o sol já ameaçava o adeus. O calor que entorpecia meu corpo não me deixava concentrar na tristeza que pairava sobre mim. Sai andando e quando vi corrria com pressa, segurando o choro que insistia em alcançar meu rosto. Encontrei no fim da praia, sobre a vegetação rasteira um abrigo para angustia aveludada que me cobrira naquela tarde de verão. Sentei-me e olhando para aquela imensidão azul deixei a dor transbordar. Era um choro guardado de um ano inteiro. Era um choro de uma angustia e frustração que me guiaram durante todo o ano que se passara. O vento forte lambia meus cabelos e parecia consolar-me como um pai que acaricia as buchechas de sua filha e garante que tudo há de passar. Foi então que surgiu no meu horizonte um homem. Jovem e com um rosto estranhamente familiar. Passando por mim, ele me questionou e só recebeu de volta um belo sorriso cheio de lagrimas. Então ele sentou ao meu lado bem rente ao meu corpo, e começou a contar-me do seu motivo para chorar. Ficamos ali por horas, conversando. Era como se eu estivesse ali sentada com o meu melhor amigo. Quando percebi, já era noite. Na pressa de ir embora, me lavantei apertei sua mão. Agradeci e sai correndo. Feliz, como se todo o peso que se acumulava em minhas costas fosse tirado por aquele rapaz e jogado ao mar. Comprei um churros e sai andando até em casa. Quando encontrei a primeira pessoa conhecida, fui logo contando do rapaz que eu conhecera na praia, mas quando pergutaram qual era o seu nome. Bem, eu nao soube dizer. Nunca saberei. O homem que transformou minhas lagrimas em sorrisos naquela tarde de verão, era um anonimo. Mais um em minha vida.
.Fate.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

desde o verão passado.

As coisas mudam o tempo todo. É o que dizem os poetas que acreditam que permanente mesmo só a mudança. E eu tenho de concordar com eles. O problema é que as vezes a mudança é tão sorrateira que nem nos damos conta disso. Não dá pra dizer que sou a mesma do verão passado. Certas coisas não me causam mais tanto arrepio, algumas pessoas que eu julgava importantes mal sabem sobre minha vida atual e a moda que eu sigo é exatamente aquela que eu odiava no último verão. Mas o que eu sinto pouco mudou. Mentira. Mudou demais.O que realmente mudou foi a forma de encara-los. Comecei a me levar a sério, a fazer o que as três peneiras nunca me deixaram fazer. Dei uma chance pro destino, que me retribuiu tão gentilmente que resolvi dar chances para o resto da vida. Mudei. Mudei quando resolvi que não precisava dar um passo atrás para dar dois a frente. Só ai foram três grandes passos. Mas uma coisa da qual voce interlocutor, nunca me acusará será de ter mudado o que foi feito, sentido e dito. Em algum lugar do tempo voce foi o amor da minha vida, meu melhor amigo e meu porto seguro. E embora eu nao pense , nem me sinta mais assim em relação a você , isso nunca tornará o que eu disse falso,inválido, vazio. Cinza ou Vermelho, aquilo foi verdade. Mas, passado nao torna nenhum fato mentira. Justamente , por isso vão passar anos e voce ainda poderá ler e acreditar em todas aquelas mentiras que dissemos uns aos outros. Verdade é uma questão de ponto de vista.


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

jovem senhora.

Tenho sonhado seguidas vezes com uma senhora que conheci semanas atrás. Eu estava em um ponto de onibus em frente a um hospital, e o céu muito cinza mostrava que muita chuva estava por vir. Nesse ponto de onibus estavam eu, uma mulher de cabelos vermelhos olhos caidos e boca chupada, e ai lado dela um rapaz corpulento de regata laranja. Foi entao que surgiu uma mulher: olhos fundos, descabelada, vestindo uma saia indiana com uma sobreposiçao de couro e um tenis preto. Ela olhou nos olhos de nos tres. Ela me escolheu. Sentou e pegou a minha mão. Eu fiquei atonita, nao disse nada e voltei o rosto pra mulher. Ela me disse o seu nome que ja nao me lembro bem, pois eu só conseguia reparar no ser que estava na minha frente. Entao ela pediu que eu lesse um protuario médico, afirmando não saber ler. Entao eu peguei o papel já amassado e fui abrindo cautelosamente- eu tinha medo-. A receita falava de uma remedio que eu nunca tinha ouvido falar, e ela insistentemente me pedia que a fizesse entender sobre o que ela tinha que tomar. Foi entao que lendo a receita, vi que nela havia em negrito uma advertencia sobre NÃO INGERIR BEBIDA ALCOOLICA. Foi então, que chegando mais perto do rosto dela, eu pude sentir um cheiro incomodo de bebida. Nessa hora todos os que estavam no ponto ja haviam ido, só sobrando eu e ela. Ela só se referia a mim como 'bela jovem senhora', não dizia coisa com coisa, mas ouvia com uma atenção quase ingenua tudo o que eu falava. Ela tambem repetia sem parar que havia desmaiado na rua e que só havia sido trazida para aquele hospital 'de rico' porque era o mais próximo. Mas o apice desse epsodio, foi quando ela pediu que eu não fosse embora, e enquanto ela ia enfiando a mão na bolsa, ela foi dizendo : ' nao precisa preocupar jovem senhora, eu só tirei uma faca pro meu marido uma vez e mesmo assim nem o matei'.
Nessa eu hora eu tive muito medo, mas nao me levantei. Permaneci imovel olhando pra ela, e ai ela tirou da bolsa sua identidade. Pediu que eu verificasse a foto e a assinatura. Mas nesse momento passou uma viatura de policia, e ela se desconcertou toda falando que nao queria policia. Naquele momento, eu já nao sabia o que pensar, entao desisti do onibus me levantei despedindo e fui em direção a um táxi. E foi nesse momento que ela me perguntou qual era minha profissão, e eu respondi que era estudante mas que queria ser médica. Ela exclamou: grande medica voce será, jovem senhora! E eu fui andando, e enquanto meus olhos alcançaram pude ver ela sorrindo e dando um cordial adeus! E, bem, eu não sei quem é ela, não tenho idéia sobre seus problemas, e nada sei sobre sua vida: mas sei que na sua passagem pela minha vida, ela me ensinou a ver gente por tras da capa e a ser gente por tras do medo.

domingo, 28 de novembro de 2010

Ao 3f,

Alunos da última sala do último ano do penúltimo andar, uma sala de A a Y, repleta de personalidades conflitantes, a principio insolúveis, trancadas em cubo com cheiro de alho poró e submetidos a tortura de 17 mil hertz de justin's biebers e suas fãs enlouquecidas. Não foi fácil, e voces bem sabem quantas vezes tivemos vontade de matar uns aos outros, e acreditem, nem a terenzi que é quietinha escapou dessa revolta.
Vivemos dias de guerra fria, de ataques pela faixa de gaza, insubmissão e interferencias da frente de batalha, e acabamos saindo formados no ensino médio e em táticas de guerra. Mas isso não foi tudo. Nossa sala não se resumiu a divergências e respostas afiadas, fomos alem. Juntos, percorremos retas, nos apoiamos nas curvas e com determinação diária transpusemos obstaculos um a um. Juntos, aprendemos o valor do verbo tolerar, e o significado do substantivo diferença. Juntos, aprendemos que rir é melhor que criticar, e que ouvir é melhor do que gritar. Juntos, tornamos menos arduo um dos momentos mais dificeis de nossa caminhada rumo à construção de nossos sonhos : e de mãos dadas, demos o primeiro passo.
Agora, cada um de nós seguirá o caminho que escolheu e, é provável que a maioria de nós não volte a se encontrar, ou talvez não, e a gente acabe se esbarrando , casados e com filhos, mas uma coisa é certa: um pedacinho dessa turma estará sempre conosco. E essa será nossa contribuição ao mundo: fazer um novo terceiro F a cada obstáculo que tivermos de superar. Afinal, haverá sempre uma interferencia a ser feita, uma exclamação a ser proclamada e um assovio a obstruir o silêncio.
Entao tá gente, beijo tchau!

Rochinha anota um asterisco ai:
EU AMO VOCES!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sem bláblá.

Eu no seu lugar não iria querer ser a próxima vítima. Te garanto que como você eu já vi milhares. São comos asiáticos, só mudam de nome. As vezes nem isso. Conheço o seu repertório sem sequer ter ouvido sua voz. Voce acha que joga, mas cai no meu jogo achando que tá dando xeque mate. Se voce soubesse, que nesse jogo... nesse, meu jogo, não há vencedores e que pra perder basta estar no jogo, é se voce soubesse pararia com esse blabla e ia brincar de war com gente do seu tamanho.

sábado, 13 de novembro de 2010

Férias de mim.

Precisa- se de férias. De tempo de ter nada na cabeça, e de se orientar somente pela posição que o sol ocupa no céu. De pisar na grama úmida de sereno e sentir um arrepio súbito subir pelo meu corpo. De me afundar na areia, na terra ou em qualquer outro pedaço sugante da litosfera que me faça sentir parte da natureza. De sentir o vento lamber os meus cabelos com a voracidade de um ser que tem fome. De andar sem destino, ser abordada por um desconhecido e inventar uma versão de vida para transeuntes. De não ser chamada pelo nome, de não ser chamada por ninguem. De sentir o sol deitar sobre mim,e queimar minha pele. De ter tempo para correr, bater uma bola e ouvir. De chorar sem motivo, sem ter que me explicar. De ver sol e chuva num deslumbramento da física se transformarem em um belo arco iris. De ouvir aquelas música bem velhas, piegas, da geração do meu avô e que fazem minha alma sair de casa. De me apaixonar e desapaixonar, sem culpa, cada vez que o meu rosto cruzar com o de alguem suficientemente vivo. De ver você nas pessoas e não me sentir um saco nostalgico sem fundo. De,por grande ironia, rever o meu algoz e reencontrá-lo tão vítima quanto antes. De fechar os olhos, e ouvir as ondas que tanto batem até que furam,e que na sua mais sensivel agressividade , propagam o som mais confortante e penetrante que eu já ouvi em toda minha vida. Sem dúvidas, é tempo de tirar férias. Férias de mim.

sábado, 30 de outubro de 2010

os seis,sete.

Foi outubro chegar pro aperto no coração mostrar que veio pra ficar. Daqui pra frente, todos nós, cada dia com mais vontade vamos querer que esse sofrimento de terceiro ano e vestibular acabe logo.Mas , é dificil pensar que nesse meu desejo de fim de ano, se inclui o adeus da nossa rotina de amizade. Daqui pra frente, serão voces5 jogados em uma faculdade de direito, um gordo capado na faculdade de engenharia civil, e eu, espero, que em uma faculdade de medicina. Não sabemos como vai ser, se vamos morar na mesma cidade ou se seremos separados por km doídos de distancia. Talvez nosso plano de se ver pelo menos uma vez por semana, só se cumpra por um ou dois meses. Talvez dure mais. O fato é: isso não importa. Nossa amizade não é comum. Somos um grupo de pessoas que se adoram, se espancam, se xingam e se cuidam. Cada um de nós, sabe melhor que ninguem, o valor que cada risada teve no meio da nossa cansativa carga horaria, o valor do abraço sacudido e seguido por um beliscão, o significado de cada palavra de apoio,o significado da bipolaridade da bianca, da dança incaricaturavel do ygor e de seus beijos nojentos com a bib's, das crises da gabriela, das cantorias inaudiveis da tata, das historias de pegaçao do vidy,e dos meus gostosos beliscoes. Isso tudo faz de voces a lembrança mais latente e gostosa do ano mais intenso da minha vida. É por essas e outras, que eu não sei não amar voces.