quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Dos casais.

Vila Velha, Janeiro de 2011.
Esta tarde tambem ardentemente quente, começou com a incontrolável vontade do meu irmão de comer peixe frito. Andamos pela praia, até encontrarmos um restaurante beira-mar especializado em peixes. Nos sentamos, fizemos o pedido. Naquele momento entrara no restaurante um casal. Ele( mais tarde soube tratar-se de Jorge) de pele morena, olhos redondos e castanhos. Ela ( que descobrir ser D. Maria) de olhos profundamentes azuis que pareciam engulir o céu, e pele fina e branca como as nuvens. Sentaram- se a nossa frente. Não se tratava apenas de um casal de idosos fofinhos, bonitinhos e coisa e tal. Eram diferentes. Me conquistaram com o olhar. Quando D. Maria se levantou para ir ao banheiro e ele seu Jorge a acompanhou para conduzi-la, percebi que havia algo bastante peculiar naquele casal. Quando voltaram, logo tratamos de puxar assunto. Em pouco tempo descobri o que cada um fazia, o que gostavam de fazer juntos e como se conhecerão. Ambos, antes viúvos se conheceram num encontro de terceira idade, e se apaixonaram. Meu encantamento por eles parecia não ter mais fim. Não demorou muito para eu entender o que acontecia ali. D. Maria tem Alzheimer. E por isso, durante a conversa repetiu diversas vezes a mesma coisa. Troquei emails com seu Jorge, que possui uma radio e um blog. Fechei a conta, me despedi e fui embora. Saindo de lá com os que me acompanhavam, me afastei. Longe de todos, nao contive o choro. Eu estava completamente envolvida com eles. A doçura que eles transmitiam pelo olhar me seduzira de tal forma que chegara a machucar. Eu chorava por ver amor puro e sincero. Eu chorava por ver o tempo levar aos poucos as peças do quebra-cabeça daquelas vidas tão sobrenaturalmente unidas. Eu chorava por medo, de passar pela vida e nao me encontrar em alguem, como aqueles dois se encontrarao. Eu chorava por estar apaixonada pelo amor que eles sentem um pelo o outro.
Não choro mais pela alegria de saber que os dois juntos enfrentam a dolorosa fuga do tempo.

Um comentário:

  1. ' Eu chorava por medo, de passar pela vida e nao me encontrar em alguem, como aqueles dois se encontrarao.' Vivo dominada pelo mesmo temor. Linda história, que é tão comovente quando a sua sensibilidade ao escrever, viu. =)

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