segunda-feira, 10 de maio de 2010

JANE s2

Hoje faz algum tempo que voce me deixou. Sinto uma gama de sentimentos tão complexos que juntos se resumem na maior simplicidade da palavra saudade. Já ouvi muito sobre saudade, que é o amor que fica, os pedaços de nos que deixamos pelo caminho, mas nada que chegue perto disso que sinto em relação a você. Nós começamos tão timidamente, mas o nosso encontro de almas foi tão forte que fez uma diferença de quase 40 anos de idade, parecer um ano ou dois. Você conheceu o melhor de mim, e eu de você. Nossas conversas, assuntos interminaveis e suas historias de quem viajou o mundo inteiro, que me deixavam quase sem piscar. Suas dores de cabeças interminaveis e suas reclamações de como sua filha era bagunceira. Voce era tão absoluta, tão cheia de vida, eu me via em você. Eu te amava e nem dizia, porque era muito explicito. Era claro demais para ter que ser declamado ou gritado a plenos pulmões para o mundo. Nos nossos ultimos tempos juntas, eu passei a te chamar de mãe. Porque amizade havia se tornado pouco para nossa relaçao de adoração mutua. E hoje aqui, sem voce, me lembro da ultima vez que voce me buscou no colégio. Me lembro da sua convulsão e do meu pedido desesperado de socorro. No meio de tanta gritaria, eu ainda encontrei tempo pra gritar que te amava. E acredite, me culpei muito tempo depois por ter dito isso só naquele momento. Principalmente, quando eu saia de casa e olhava para a sua janela tão vazia e sem vida, sem você lá. Cadê você pra perguntar onde eu ia? Ou simplesmente me chamar de yasminica? Ahh o que eu sinto nem tem nome, de tão profundo. Sei que onde quer que voce esteja voce estara olhando por mim, sua caçulinha. Sei tambem que voce não suportaria a idéia de ver-me triste, mas hoje tenho a licença pra isso. Hoje quero te sentir aqui, mais do que qualquer outro dia. Hoje quero te contar tudo o que andou me acontecendo, e te lembrar mais uma vez, pela ultima talvez, que sim EU TE AMO DEMAIS.

um beijo, de sua filha mal criada de cotovelos falantes.

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