terça-feira, 21 de setembro de 2010

Urgência.

Anoiteceu e amanheceu um milhao de vezes até hoje. Hoje está anoitecendo, mais algumas horas, e amanha será dia. Tão certo como dois e dois são quatro, depois do manto estrelado vem o sol faiscante. Isso vale para tudo na vida. Não tudo, é certo. Mas, quase tudo. Não importa em que ordem isso aconteça, grandes alegrias são sempre precedidas ou sucedidas de alguma grande pequena tragédia. É quando voce está lá naquele jardim, confiante de que hoje, diferente de ontem, antiontem, e do mes inteiro que se passou, aquilo ou aquele, vai te dar o seguro que o porto queria. O que sucede essas pequenas grandes minusculas tragedias de todos os dias, é aquele, insistente cinza aveludado que preenche o vazio com coisas sempre tão mais cheias de vazio, que nos deixam cheios do vazio de sermos nós e só. E nessa urgencia, de esvaziar de mim acabo me enchendo demais dos outros, quando na verdade tudo o que queria sem querer era esvaziar daquilo que mesmo não sendo ainda era, e que por isso nao me deixava ser. Anoitecerão e amanhecerão um milhão de vezes, até que eu consiga... maldita urgencia.

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