Ela tinha uma malícia peculiar. Sua personalidade era constituida por uma gama de valores paradoxais, o que a tornava uma icógnita. Não era de tudo má, apesar do veneno que carregava e difundia com seus labios bem delineados. Era sempre tão convicente, que havia quem a nomea-se como rainha da retórica. Não gostava de meio termos. Só nao havia um sorriso cobrindo sua face, quando por cansaço, se entregava ao peso da cruz. Não sabia amar, embora achasse que sim. Era cega e pespircaz. Seu sexto sentido a levava quase a crença da paranormalidade. Sua inteligência fazia-se poesia em suas meias palavras enroladas em ironia e mergulhadas em um sarcasmo quase que antietico. Não ajudava a si mesma. Nasceu para a entrega. Doar-se era verbo transitivo direto, e sua gramática não aceitava reformas. Não desejava mal á ninguem, embora esperasse cheia de pressa, a lei do retorno. Sua mente revirava-se frequentemente de forma tão insana, que ela decidiu não mais morar dentro de si. Dedicou- se a viver o exterior. Entregou-se aos outros. Foi deixando de ser sujeito, para virar complemento nominal. Mas, o vazio de nao ser ela mesma, nao lhe caia bem. E o tempo, as pessoas foram a arrastando...
Um belo dia diante de um espelho, se deu conta de que seu reflexo não estava ali. Via as pessoas que a amava, via seu trabalho, seus amigos, mas era incapaz de enxergar-se. Sentou-se diante do espelho e chorou a dor de ter roubado a si mesma.Chorou,chorou,chorou.... Até que levantou-se, lavou o rosto, vestiu-se com um colete preto e um lenço cor púrpura e saiu para a vida.
Depois disso não voltou para dentro de si com frequencia, mas ela sabia que o sorriso só estava lá porque sua alma transbordava.
quarta-feira, 31 de março de 2010
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