Não é pra você. As vezes escrevo de mim, em outras escrevo meio ilegalmente a sensação alheia. Necessidade de falar dá nisso. Se em boca aberta entra mosquito, a minha ja está entupida. Falo o que devo e não devo, falo o que penso, o que não penso e o que eu suponho. Talvez seja por isso que em relação a voce, eu sofra tão menos. Não guardo nada pra mim. Nasci para verbalizar. Não escondo, me mostro do avesso e dou uma arrumadinha pra nao horrorizar. Sim, do avesso. O avesso, porque é mais nitido, menos padronizado, mais eu. Não tenho muita vergonha de me sentir incompleta, tampouco de nao ser a melhor. O que me envergonha é o pior que eu posso ser. Aquela parte de mim que fica lá naquele quarto escuro do inconsciente do qual Freud já alertava perigo. Disso eu tenho vergonha,e antes de tudo medo. É dessa escuridão insana que saem as armas. O que me alivia, porem, é aquela sensatez que mesmo incoerente e desajeitada faz nascer flores em canhões e faz do pior o meu melhor.
Falar eu sei. Agora quero aprender a ouvir. A entender a dor alheia, sem julgamentos. Quero ajudar a diminuir o vazio, sem entupir de tralhas. Quero espremer até caber só amor.Até trazer de volta o que meio foi e meio ficou. Pra isso, vou me virar do avesso e vou desvirar, porque agora o meu pior vai virar melhor,e a semente vai brotar, nesse coraçao de argila doido pra amolecer e de amor transbordar.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
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